Na verdadeira 'arte' que é o viver, um dos mais preciosos 'dons' é a capacidade de perdoar. O perdão é realmente uma das chaves que abrem as portas de uma vida mais feliz e mais saudável. É o que nos afirmam, inclusive, estudos científicos. Pesquisas médico-científicas mostram que o perdão vem acompanhado da diminuição da raiva, da depressão, da ansiedade e de outros sentimentos relacionados a ele. Vemos daí que as pessoas que perdoam, que possuem esse talento, que se esforçam nesse sentido, desencadeiam em seus organismos ondas de positividade, equilíbrio e saúde.
Crianças nos trazem boas informações nesse quesito. "O perdão parece mais fácil para as crianças. Uma criança de cinco anos pode brigar com um amigo que pegou um de seus brinquedos e, cinco minutos depois, perdoá-lo e começar a brincar novamente. Porém, quando os adultos brigam, podem ficar anos e anos sem se falarem", afirma o Dr. Gerald G. Jampolsky, psiquiatra de crianças e adultos.
Junto a essa constatação, vem a explicação: crescemos, nos tornamos adultos, com o crescimento, nosso ego torna-se maior, mais inflado. Ficamos mais propensos a julgar os outros. Quanto mais julgamos, mais imperdoáveis ficamos e mais forte fica nosso ego. Uma situação paradoxal aí se apresenta, ou seja, nosso ego vai se tornando, com nosso 'amadurecimento', mais inflado, porém nossa paz mental vai ficando mais combalida, enfraquecida. Com nossa mente perturbada, nosso corpo colhe os reflexos. Daí doenças, desequilíbrios.
X... é uma vendedora, prefere não se identificar, e tem um retrato muito interessante acerca do perdão. “Tive uma desavença com meu irmão. Hoje vejo que por uma coisa boba. Ficamos por dez anos sem nos falarmos. De uns tempos pra cá, pensava muito sobre tudo isso e verificava o mal que isto estava provocando em minha vida. Me dava um incômodo muito grande. Mesmo achando que eu estava com razão sobre o que nos levou ao desentendimento, recentemente, mais precisamente no Dia dos Pais, após um grande esforço, liguei para ele... Não agüentava mais àquela angústia. Estamos aparando as nossas arestas e estou super-aliviada. Em minha família mesmo existem casos de pessoas que morreram sem falarem com outras, naquela mágoa... Acho isso muito triste, não quero isso para mim de jeito nenhum”, conta-nos.
COMPREENSÃO E TOLERÂNCIA, EIS OS CAMINHOS!
Dr. Jampolsky nos alerta ainda acerca de uma questão que muitas vezes, quase sempre, não nos apercebemos. Quando não conseguimos perdoar, vivemos alimentado sentimentos como mágoas, rancores, aí damos à pessoa um 'poder' sobre nós: "Ironicamente, ao recusar seu perdão a alguém, você, na verdade, dá a essa pessoa um poder considerável sobre seu bem estar, mental e físico", lembra-nos. A análise faz muito sentido: não perdoamos a alguém, aí alimentamos sentimentos negativos, somos condicionados ao desequilíbrio e nosso corpo até adoece.
Assim sendo, nos perguntamos; mas como perdoar?! Sabemos que não é tarefa das mais fáceis, porém necessária à nossa boa saúde. "Aceitar que a pessoa que nos fez algo esteja com medo ou agiu com medo é boa maneira de buscarmos o perdão", diz o Dr. Gerald Jampolsky, que ressalta ainda acreditar que a maioria das atitudes erradas origina-se do medo. Ele segue no seu raciocínio fazendo-nos imaginar, por exemplo, uma pessoa, um colega de trabalho que nos tenha roubado uma idéia, um projeto. Imaginemos que o medo que essa pessoa tinha de sua idéia não ser tão boa quanto a nossa, é que foi o estopim para que ela traísse nossa confiança. Nesse sentido, se nós conseguirmos conceber que o outro tem, ou teve, medo, nós poderemos chegar à compaixão. Chegando à compaixão é mais fácil compreender, perdoar..
O psiquiatra Dr. Jampolsky destaca ainda que perdoar não significa aceitar. Nos diz que não precisamos nos convencer de que está tudo bem, por exemplo, em nosso colega roubar nossa idéia; é normal até não dividir com ele novas idéias. O importante é tentarmos entender, tolerar, compreender limites dos outros e os nossos também, conceber que, incondicionalmente, todos temos nossos defeitos. Saber perdoar é realmente um talento; porém, certamente, é uma das senhas para chegarmos ao equilíbrio e à boa saúde.
Por: Felipe Jannuzzi
Jornalista
felipejannuzzi1@gmail.com
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